O Arresto do Windhuk é um livro que reúne textos sobre os mais diferentes assuntos, daquele que foi, nas palavras de Evandro Lins e Silva, um inovador no Brasil na assistência profissional do advogado a empresas. Em grande parte dos textos, predomina a atração do autor pelas questões do direito. No entanto, como bem observa Fernando Pedreira no prefácio, José Nabuco é um narrador de texto fluente e claro. Dessa maneira, veremos como pode ser instigante a narrativa do seqüestro de navios alemães ao tempo da segunda grande guerra mundial, com o jovem Nabuco tomando providências que iam de viagens ao sul do país nos precários aviões da época ao gabinete de ministros de Estado, em um período em que a ditadura de Vargas oscilava entre o apoio ao Eixo e aos aliados. Nos três textos que versam sobre a candidatura Vargas, publicados em jornais da época, vê-se aqui como Nabuco se opôs com destemor à chegada ao poder de Getúlio em 1950, fazendo a defesa da tese da sua inelegibilidade, por perjúrio para com a Constituição de 1934. Essa tese foi lida por ele no plenário do Instituto dos Advogados em junho de 1950, onde foi derrotada por um voto apenas. Não poderia faltar neste livro um capítulo voltado para a grande figura de seu pai, Joaquim Nabuco. José Thomaz resgatou na Bodleian Library, da Universidade de Oxford, correspondência inédita do pai com Charles H. Allen, da Sociedade Inglesa e Estrangeira contra a Escravidão. Colaborando na imprensa do Rio, onde morou durante toda a vida, os temas de José Nabuco abrangem tópicos variados: economia, direito autoral, heranças, a pintura de Portinari, uma viagem à China, episódios forenses no Brasil- Colônia. Sumário: "FOI UMA DELICADA PEÇA de porcelana, enviada por você, o que me fez voltar ao passado e recordar a figura encantadora de seu pai, o meu amigo José Nabuco, que tanto me distinguiu com a sua confiança em freqüentes convocações para participar de defesas de clientes seus, em causas que envolviam matéria criminal em que era especializado o meu escritório. Nabuco foi um pioneiro no Brasil na assistência profissional do advogado a empresas, de modo geral. Era a consultoria, em caráter permanente, e também, o contencioso forense, quando as partes desavindas não se compunham e o litígio tinha de ser resolvido nos tribunais. Ainda me lembro do Bartolomeu Anacleto, advogado pernambucano, de grande valor, que talvez tenha sido o primeiro companheiro de José Nabuco, ou associado, na banca inovadora que montaram no Rio de Janeiro. Ao que a minha memória guarda, dois outros escritórios assemelhados havia, comandados pelos advogados americanos - Momsen e Kinkade - com o primeiro trabalhando Edmundo Miranda Jordão, Thomas Leonardos e Eurico Raja Gabaglia e, com o segundo, Rodrigo Otávio Filho. (...) Voltemos a La Boétie, que morreu muito cedo, aos 33 anos. Colega e amigo de Montaigne, este o chamava irmão e nele via 'uma alma que indicava uma bela imagem em todos os sentidos'. Você foi feliz invocando Etienne de La Boétie e reavivou em mim uma saudosa evocação do passado - o sentimento da amizade por José Nabuco, que veio a tona e muito me comoveu. Também não sou capaz de traduzir Boétie, mas dele sei que a sua memória permanecerá sempre, através dos tempos, ligada à palavra amizade". EVANDRO LINS E SILVA Carta a Afrânio Nabuco em 06.01.1999
Código de Barras: 9788588747050
Tipo de Item: Livro
Formato da Edição: Hardcover
Data de Lançamento: 2009-06-06
Título: José Thomaz Nabuco
Artista(s): JOSÉ THOMAZ NABUCO
EAN: 9788588747050
ISBN: 9788588747050
Número de Páginas: 258
Editora: Bem-Te-Vi
Selo: Bem-te-vi
(Os dados técnicos do produto informados acima foram fornecidos pelo fabricante. Embora não seja comum, variações podem ocorrer)